domingo, 2 de janeiro de 2011

Cenário na Alepa quase sem oposição a Jatene

O tucano Simão Jatene, novo governador do Pará a partir deste sábado, deve encontrar pela frente céu de brigadeiro no que se refere às relações com os deputados estaduais. Bem diferente do que ocorreu com sua antecessora, a petista Ana Júlia Carepa, que enfrentou quatro anos de percalços na Assembleia Legislativa do Pará. Pelo menos é o que se observa até agora do resultado das negociações de Jatene com partidos que têm bancada na Assembleia com vistas à formação do secretariado.

O tucano foi eleito em uma coligação que reunia formalmente sete partidos (PPS-DEM-PSDC-PRTB-PMN-PRP-PSDB), só quatro deles com cadeiras na AL, mas ao longo das últimas semanas foi aumentando a base de apoio e atraindo partidos como o PSB de Ademir Andrade, aliado histórico do PT no Pará .

A demora em anunciar os secretários e a cautela com que Jatene conduziu as negociações com os partidos revelam uma grande preocupação com a governabilidade, a ponto de, em entrevista ao DIÁRIO, ele ter afirmado que pretende conduzir pessoalmente a articulação política do novo governo. “Como governador, me sinto no direito e no dever de conversar com os outros poderes”.
Até agora Jatene conseguiu aumentar a base aliada, revertendo um cenário que, a despeito da força do Executivo, poderia ser desfavorável se levado em conta apenas o resultado das eleições proporcionais.

A bancada de seu próprio partido, o PSDB, encolheu. Na atual legislatura, é formada por dez deputados, mas só conseguiu eleger sete. Não se reelegeram Suleima Pegado, Bira Barbosa, Italo Mácola e André Dias, que concorreu a deputado federal. A deputada Tetê Santos ficou com a segunda suplência da coligação formada por PSDB e DEM e deve assumir uma cadeira com a saída de um segundo deputado para o secretariado. O primeiro a ser chamado foi Sidney Rosa, novo secretário de Projetos Estratégicos do Estado.
(NOTA DO BLOG - O deputado Italo Mácola, que teve 20 mil votos, ficou na segunda suplência do Partido e na terceira da coligação).
A bancada é formada ainda por Ana Cunha, Manoel Pioneiro, Alexandre Von, José Megale e Cilene Couto, filha do senador Mário Couto. Pioneiro seria o mais cotado até agora para ser apresentado como candidato do PSDB à presidência da Assembleia. A eleição acontece em 1° de fevereiro.

VEJA O QUE JATENE TERÁ NO CENÁRIO DA AL

PSDB: O partido do governador obteve sete cadeiras. Tetê Santos, que ficou com a segunda suplência, deve assumir uma vaga com a chamada de um dos deputados eleitos para o secretariado.

DEM e PPS: Os dois partidos são aliados históricos do PSDB. Cada um elegeu um deputado.

PMDB: Com 8 deputados, o partido terá cinco secretarias e pelo menos
outros quatro órgãos e autarquias nas indicações para composição do governo. Com isso, Jatene garante o apoio do partido na AL.

PTB: Elegeu 3 deputados. Oficialmente o partido apoiou Ana Júlia, mas vários deputados fizeram campanha aberta para Jatene. Com isso, o partido ganhou a secretaria de Obras para o deputado eleito Tião Miranda, abrindo caminho para o retorno de Joaquim Passarinho para a AL como suplente da legenda.

PSB: O partido, tradicional aliado do PT, foi chamado a compor governo na Secretaria de Justiça e garantiu a Jatene o apoio dos deputados da legenda, Cássio Andrade e Raimundo Belo.

PSC: Antes vinculado ao PT, também deve compor a base do governo, após a participação do partido no secretariado.

PMN: O deputado eleito Alessandro Novelino foi um fervoroso cabo eleitoral de Jatene na campanha.

MODERADOS

PR: Fez 4 deputados, entre eles o reeleito Júnior Hage. Apesar de alinhado ao PT no governo Ana Júlia, o PR – do vice-prefeito de Belém Anivaldo Vale, candidato a vice na chapa de Ana Júlia – já esteve próximo do PSDB e não deve fazer oposição radical. O mesmo deve acontecer com o PDT e o PRB, que elegeram, respectivamente, dois deputados e um deputado.

PV: Partido do líder do governo de Ana Júlia terá duas cadeiras. Mas o deputado reeleito Gabriel Guerreiro e Deley Santos poderão compor com Jatene.

OPOSIÇÃO

PT: O partido ampliou a bancada de 5 para 9 deputados, mas ainda assim não conseguirá maioria para causar problemas ao governo de Jatene.

PSOL: O partido tem somente um deputado, Edmilson Rodrigues, cujas relações anteriores com Jatene, quando os dois eram, respectivamente, prefeito de Belém e governador do Estado, indicam que o PSOL fará a oposição mais radical.
(Diário do Pará)

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