terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ana Júlia: a reboque da economia

O vôo dos tucanos.

Isto é Dinheiro


Não é só na esfera federal que o crescimento está garantindo votos. O bom desempenho econômico também contribui para o desempenho de vários governadores. No Pará, por exemplo, a Governadora Ana Júlia foi considerada pelas pesquisas como a pior governadora do Brasil.

Por Guilherme Queiroz.

A mais recente pesquisa do instituto Datafolha mediu a popularidade de diversos governadores em campanha pela reeleição. No topo da lista, desponta o de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, à frente de uma gestão avaliada como ótima ou boa por 62% dos pernambucanos, o que o torna franco favorito para vencer a disputa no primeiro turno.Pernambuco: Eduardo Campos 62% das intenções de voto. Investimentos no Porto de Suape, no estaleiro Atlântico Sul e na refinaria Abreu e Lima superam R$ 20 bilhões.
Sua plataforma eleitoral?
A economia. E com resultados para ostentar. Nos últimos anos, Pernambuco recebeu três dos maiores investimentos em curso no país. Na terça-feira 17, o presidente Lula inaugurou no Estado a fábrica de dormentes para a ferrovia Transnordestina.
Campos não compareceu, por conta das restrições da lei eleitoral, mas foi citado no palanque. Somados, o Porto de Suape, a refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul trouxeram um aporte de R$ 20 bilhões para a segunda maior economia do Nordeste, com previsão de 78 mil novos empregos diretos e indiretos com carteira assinada.

Rio de Janeiro: Sérgio Cabral 53% das intenções. Com as contas públicas saneadas, o Rio tem R$ 118 bilhões em investimentos no PAC e obras para sediar a Olimpíada de 2016 Isso equivale à metade dos postos formais criados no Estado desde 2007 e impacta diretamente na sensação de bem-estar da população. Como mostra o desempenho do governador na campanha ao Palácio das Princesas, cifras e números de uma economia pujante têm um alto poder de atração de votos para o 3 de outubro. Uma análise do quadro econômico dos Estados onde governadores disputam a reeleição comprova a influência da economia no voto do eleitor. “Existe uma clara sincronia entre a renda e o desempenho eleitoral. No Nordeste, a renda média cresceu dois pontos acima do restante do Brasil”, diz o economista Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV.

A exemplo de Eduardo Campos, os governadores Jaques Wagner, do PT, da Bahia, e Cid Gomes, do PSB, do Ceará, lideram as corridas em seus Estados, com 45% e 49% das intenções de voto. Importantes destinos turísticos, Ceará e Bahia vivem um boom imobiliário sem precedentes. A expansão da construção civil transformou a Bahia no maior polo empregador da região, com 71 mil empregos criados em 2009, um recorde nordestino.

Ceará: Cid Gomes 49% das intenções de voto. O Estado vive um boom imobiliário e o Porto de Pecém recebe R$ 571 milhões para ampliação Os três governadores se beneficiam ainda da aliança com o presidente Lula. Entre 2008 e 2010, o governo empenhou R$ 3,5 bilhões para a Bahia, R$ 2,9 bilhões para Pernambuco e R$ 2,2 bilhões para o Ceará. Só perdem para os volumes repassados a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os mais populosos do País. Os governadores também mostraram habilidade para atrair empreendimentos de vulto. Eduardo Campos viu a Petrobras encomendar a construção de 15 navios petroleiros ao Estaleiro Atlântico Sul, em Suape. O Ceará irá receber uma das três novas refinarias da empresa. Outro destino de investimentos bilionários é o Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral, do PMDB, lidera a corrida com 53% das intenções. Com R$ 118 bilhões do PAC, Cabral foi beneficiado pela conquista da Olimpíada de 2016, que deve garantir melhoras na infraestrutura e no setor de serviços.

São Paulo: Geraldo Alckmin 54% das intenções de voto. Além da inauguração do Rodoanel e da expansão do Metrô, a Nota Fiscal Paulista aumentou a arrecadação do ICMS em R$ 1,5 bilhão Se o desempenho da economia pode impulsionar uma candidatura, a estagnação pode sepultá-la. Caso mais emblemático é o da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB. Ao assumir o mandato, em 2007, ela reestruturou a dívida e viu a GM anunciar um investimento de R$ 2 bilhões em Gravataí. Mas passou seu mandato fustigada por denúncias de corrupção. Hoje tem apenas 16% das intenções de voto, num amargo terceiro lugar. “Talvez, com o tempo, ela consiga recuperar sua imagem e reivindicar a herança que deixa”, avalia o cientista político Valeriano Ferreira Costa, da Unicamp.
O mesmo pode não ocorrer para a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que comprou brigas com o agronegócio, um dos setores mais importantes da economia local, e chega à campanha com sua rejeição beirando os 60%. Ou para o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, do PSDB, impedido de investir por uma dívida pública que consome 15% das receitas do Estado.

Pará: Ana Júlia Carepa 23% das intenções, em terceiro lugar. Considerada a pior governadora do País, em 2008, Carepa tem taxa de rejeição de 59% e conflitos com o setor agropecuário. Há ainda os candidatos que tentam se beneficiar da boa herança deixada pelos antecessores. São os casos do tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo, e do peemedebista Omar Aziz, líderes nas corridas em São Paulo e no Amazonas. Alckmin já foi governador paulista, tem 54% das intenções de voto, e pode vencer já no primeiro turno. Ele concorre representando a continuidade de um governo que tem como legado o Rodoanel – um investimento de R$ 5 bilhões – e a expansão do Metrô. Se eleito, assumirá um governo marcado pelo aumento na arrecadação, puxada em parte pela Nota Fiscal Paulista, iniciativa que caiu no gosto do contribuinte e somou R$ 1,5 bilhão em tributos desde 2007.

Rio Grande do Sul: Yeda Crusius 16% das intenções, em terceiro lugar. Zerou o maior déficit estadual do País e atraiu investimentos, mas viu seu governo acuado por denúncias de corrupção e falta de apoio político. “O paulista está acomodado. Quer um governo conservador, que não traga grandes mudanças”, analisa Valeriano Ferreira Costa. Vice do ex-governador Eduardo Braga, Aziz foi parte do governo em que a Zona Franca de Manaus se tornou um gigante que emprega 106 mil pessoas e deve faturar US$ 30 bilhões este ano. “O eleitor quer claramente um voto de continuísmo em 2010”, diz o economista Marx Alexandre Gabriel, sócio da MB Consultoria.
Fonte: Isto é Dinheiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário